Quanta blasfêmia! Perdão Senhor! Mas ao mesmo tempo não me sinto injustificada. Meus xingamentos vêm de minhas entranhas, do âmago do meu ser carne; do meu lado que sente, meu lado animal. A estafa, que aos poucos se instala, irrita. A irritação impede o descanço que agrava o cansaço. Já não sou eu, já não sou mãe, sou um indivíduo que chora e lamenta não poder cerrar os olhos e dormir. O martelo no andar de baixo ecoa; o choro do meu bem mais precioso ecoa. O meu choro eu tento conter e soluço discreta, tentando fingir para mim mesma que está tudo bem. As horas passam, o cansaço aumenta, no intervalo das marteladas e dos soluços do meu pequeno tirano tento dormir, mas me é impossível: cá estou às voltas com sentimentos de culpa e derrota. Não, ser mãe não é padecer no paraíso. Ser mãe é padecer em casa, aos poucos, dia-a-dia, em cada gota de leite que derramo do meu ser. Ser mãe é a coisa mais valiosa e menos valorizada neste mundo de homens e concreto. Sim, o mesmo concreto que sofre as marteladas que novamente ecoam e me impedem de dormir e descansar...
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2 comentários:
Dani, amiga,
essa é a dor que só nós que optamos pela maternidade entenderemos... os dois lados da mesma moeda... e so nos entenderemos que dizer tudo isso não significa amar menos...
corajosa voce amiga! pensei varias vezes em falar que "ser mae nao e padecer no paraiso" porque ele nao existe quando voce e mae! rs... mas voce quase fez primeiro... beijos so.
Sim, é isso mesmo. E é exatamente porque amamos muito que ficamos acordadas horas e horas - seja porque o bebê chora de cólica, seja porque chora de regurgitar, ou mesmo só por manha. Mas isso não é, nem nunca será o paraíso. Aliás, é o que eu acredito, porque senão o paraíso seria muito cansativo! hahaha.
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